Fazia tempo que eu não escrevia aqui, acho que me deixei desanimar, ms por causa de uma tarefa escolar resolvi voltar. O tema foi o gênero brutalista então decidi postar meu conto aqui...
Noite no Éden
Eu sempre fui uma perdedora, ou sempre me considerei uma. Perdedora porque essa coisa estragada que é essa deformidade que existe em mim me impede, porque moro neste lugar fedido onde tantos nordestinos sonham vir, perdedora porque sou um nojo. Morando em São Paulo, uma capital gigante, as pessoas acham que coisas feias não acontecem. Mas elas acontecem, e muito. Nas entranhas da sujeira da favela, onde nós crianças nos arrastamos no lixo e nos divertimos nadando no córrego entre restos e merda essas coisas acontecem naturalmente, como animais no cio.
Ter sido largada em um terreno baldio aos três anos de idade foi muito assustador e me fez perceber que havia alguma coisa errada comigo. Retirei o lema da minha vida no filme que eu vi na vitrine de uma loja "Quando o mundo virar as costas para você, Vire as costas para o mundo". E foi assim que eu aprendi a odiar. A odiar toda essa massa humana a minha volta, toda essa sujeira que está dentro e fora de mim. Odeio meus pais, aqueles filhos da depravação, nojentos. Porque meu pai tinha que estuprar minha mãe, sua própria irmã? Não compreendo, pois ele poderia ter deixado seu lindo pinto dentro das calças ou ter batido uma punheta, e assim não teria gerado este lixo, essa coisa torta, suja, deficiente e nojenta que sou eu.
Mas como dizem, o universo é cíclico e eu descobri que eu tinha um atrativo muito grande no meio de minhas pernas, e melhor, poderia ganhar a vida abrindo elas para os homens. E assim eu me tornei Eva, uma menina feia, mas que podia fazer coisas surpreendentes. Ganhei este nome do primeiro mendigo que me pegou aos oito anos em um beco e me fez perder o cabaço. Sussurrava este nome enquanto enfiava sua língua áspera na minha boca e sua barba roçava meu rosto, e eu com minhas pequenas mãos de menina fazia o pau dele ficar duro, aquela coisa mixuruca mas que me encheu toda. Aceitei ele com gosto porque sabia que ninguém haveria de querer algo podre como eu. Eu era muito novinha, mas sabia fazer ele gritar. E descobri que esta filha de pais irmãos viera ao mundo como um objeto, um objeto feio de prazer animal, mas eles ainda haveriam de pagar um preço pelos meus serviços, pois teriam que se curvar a minha vontade.
Resolvi procurar uma casa de garotas, porque mesmo sendo deformada e fedida eu não queria ser igual aquelas vagabundas que dão em qualquer esquina por dez reais.
Depois de passar por vários lugares que não me mereciam, o pior foi onde só aceitavam homens, e como objeto sexual que sou queria experimentar de tudo. Cheguei ao prostíbulo de Madame Nora, um lugar chamado Noite no Éden, onde eu poderia realizar minha missão muito bem em meio à sujeira e sacanagem. Nora, a cafetina, me disse que eu era leprosa e aleijada mas que mesmo assim eu poderia tentar alguns programas e estimulou que cada trepada comigo seria trinta reais, dez para ela e vinte para mim, aceitei.
O mais curioso foi que a procura pelos meus serviços foi grande, e assim eu tive a confirmação que este seria meu serviço, só não sabia o que estava faltando para ser completamente feliz. É curioso como a pessoa tem uma tara pelo nojento, e como entre quatro paredes pode tudo, aprendi truques com pedras quentes e frutas, o que aumentavam mais o meu fascínio.
Vinha animais de todas as espécies ao meu bangalô, alguns até violentos, mas eu adorava toda a vez que algum deles arrebentava minha buceta, era algo redentor. Sonhei com um monstro sexual onde eu poderia brigar e fazer amor até toda essa sujeira sair. Foi nessa época que eu descobri o que estava faltando no meu trabalho, a dor.
E assim comecei a fazer pequenas incisões nos meus clientes, algum me batiam, mas o que eu conseguia matar eu aproveitava bem, e assim criei minha coleção particular de cintos de mamilos masculinos, meus copos de crânio e meus salames de pintos. Quando você descobre que a carne de um homem fica mais gostosa de se comer quando ele acabou de comer sua vagina e seu ânus é muito bom, é uma troca, eles me comem e eu como eles, em sentidos diferentes é claro.
Segundo algumas prostitutas da casa de Madame Nora, havia um grupo de garotos muito interessantes que vinham ao Noite no Éden às vezes e faziam coisas horríveis com as meninas, a ultima havia sido retirada pelo rabecão. Fiquei muito interessada mas não demonstrei pois estava vindo um velho que eu gostava muito de transar mas que não tivera coragem de matar porque queria dar pra ele mais algumas vezes.
O ato de se descobrir uma vingadora do sexo e da morte é algo transcendente para uma mulher feia, pois você descobre que o buraco quente e úmido que se esconde entre suas pernas pode fazer coisas que ninguém imaginaria. E assim eu não me achava mais tão nojenta e fétida, pois ainda sabia que era filha de incesto animal e doente, mas agora eu havia descoberto minha verdadeira vocação.
O máximo de clientes que eu tinha atendido de uma vez só eram dois, e mesmo assim eles não haviam se relacionado entre si, no máximo a cabeça dos paus se encostando um no outro quando eu tentava chupar os dois ao mesmo tempo. Mas naquele dia algo que estava há muito tempo esperando aconteceu, o grupo tão temido de rapazes riquinhos que pegam as meninas me escolheram como a rapariga da noite, confesso que senti um pouco de medo, mas o umedecimento da minha vagina e aquele frio na boca do estomago indicava que a noite seria muito boa e prazerosa. Eles entraram no meu bangalô todos ao mesmo tempo, eram cinco e eram musculosos, brancos e usavam camiseta preta muito justa com tênis de marca. Tinha nojo daqueles riquinhos pois nasci na favela, mas aqueles eram diferentes, sua reputação os precedia. Imaginei eu engolindo eles inteiros e depois tendo a chance de cortar cada garganta e poder deixar os sangues quentes escorrer pelo meu corpo enquanto me esfrego, algo como um chuveiro de sangue e sêmen.
Fingi que não sabia direito quem eram, porque isto poderia assustá-los. Não sabia como faria para satisfazer os cinco, então o que mais parecia sem jeito deu a idéia de fazer um Gang Bang, isto significava que eles queria foder todos ao mesmo tempo. Olhei para o lado e vi minha mesinha redonda de acessórios, era o lugar perfeito para acomodar nós seis. Fui lá e retirei o estojo de maquiagem com os cintos de mamilos e os salames de pênis de lá e a posicionei no centro do bangalô. Exposta como um pedaço podre de carne que eu realmente era eles foram retirando suas calças e os pintos duros foram aparecendo. Foi nesse momento que senti a pancada forte na cabeça, não foi tão violenta que me fizesse perder a consciência mas me fez perder os movimentos repentinamente. Os cinco pegaram meu corpo inerte e amarraram na mesa me deixando na posição do Homem Vitruviano, como se fosse uma homenagem horrenda de como o ser humano pode ser nojento, podre e ao mesmo tempo perfeito.
Naquele momento passou em minha cabeça cada momento de dor e prazer que fiz os homens sentirem e sorri, pois afinal encontrei parceiros a minha altura. Sinto que eles tocavam minha mão e após alguns segundos entendi o que estavam fazendo. Enfiavam agulhas embaixo de minha unhas e depois colocavam acetona, uma tortura fascinante onde eu queria sentir cada vez mais dor. Começaram a me espancar e a me queimar com pontas de cigarros até que eles furaram meu olho com o alicate de cutícula que eu possuía, e tornei-me uma puta cega, feia e nojenta. Eles invadiram meus lugares mais profundos, dois de cada vez num ritmo feroz, me fazendo gritar de dor e alegria.
Gozaram muito em cima de mim, seus pintos eram maravilhosos, peludos e eu nunca me senti tão excitada. O ultimo dia da minha vida foi o melhor, e posso dizer que é verdade que passa um filme diante de seus olhos quando se está morrendo. Cada gozo e gota de sangue que eu consegui extrair foi um passo a mais na conquista de minha vitória, um passo que a menina que nasceu filha de incesto, deformada, deficiente e largada conseguiu. Mas o que mais me entristece é saber que morri anônima, sem nome, um rosto deformado, sem amor, um objeto sujo que deu prazer a tantos homens, que fez maravilhas sexuais e que conseguiu beber na taça de sangue seu mais precioso vinho, da dor e do prazer vai ser agora somente mais uma prostituta morta. Eles pagaram, todos esses animais nojentos que fizeram de mim o que fui, uma vagabunda que sabia beijar, abraçar e matar, e depois se me condenarem por ter matado tantos nem irão lembrar de todas as vezes que abri a perna para fazer caridade com os machos necessitados. Tornei-me somente uma biscate que foi desovada no Rio Tietê, onde nem Madame Nora, nem pai estuprador nem mendigo nenhum vai me reconhecer, pois virei somente uma noticia de rodapé no jornal : “Prostituta de 14 anos é torturada, morta e jogada no Rio Tietê”. Afinal, depois de ter cumprido minha missão voltei para casa, o antigo córrego chamado de Tietê, onde eu posso me tornar igual a todos, afogada na merda.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
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2 comentários:
Eu não tenho o q dizer..
Olhaaa sóoo
o Jo, mostrando o seu lado Rubem Fonseca!!!!!
;)
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